Sexta-feira, 26 de Outubro de 2007

FELICIDADE

Esta noite, sentiu-se só.

A noite tinha caído e ele tinha mergulhado no seu manto negro vestindo a solidão. Nunca na sua vida se tinha sentido tão sózinho. Anos atrás, após um desenlace amoroso, tinha decidido que íria percorrer o caminho da sua vida sózinho. Não era de ninguém e ninguém era dele. Viveria numa total liberdade de pensamentos, emoções e acções. Nem mesmo ele seria seu dono. Entregaria o seu ser, a sua alma ao advir. Este encarregar-se-ia de o moldar às suas situações, às vivências.

E tinha vivido feliz durante um bom par de anos! Mas...hoje, particularmente, sentia-se só.

Lá fora, as folhas dos abetos flutuavam ao som do vento que se fazia sentir, o céu estrelado adornava a Lua, que brilhava e iluminava as almas da noite. O lago iluminado pela Lua, projectava sombras na parede branca da casa. O jardim assim iluminado, pela Lua, parecia ganhar uma outra vida, uma vida diferente daquela que assistia todas as manhãs ao raiar do Sol. Aquela quietude, a que estava habituado, hoje estava a pô-lo fora de si. Um vazio interior começava a apoderar-se dele e ele queria fugir dali, queria sentir a presença de alguém. Nem mesmos os escritores que teimavam habitar as suas prateleiras, hoje, lhe poderiam fazer companhia. Nem mesmo a sua poltrona lhe parecia confortável. Hoje, esta noite, precisamente, neste dia, tempos atrás, ele tinha sido feliz. Tinha encontrado a felicidade. Hoje não! Esta noite, dessa felicidade, restava sómente a saudade de tudo o que ficou depois de tudo partir.

Um nevoeiro denso saía, agora, sobre o jardim, e ele inerte, junto à janela do seu quarto continuava a observar o cair da noite, a transformação que ao mesmo tempo acontecia lá fora e dentro de sil.

Foi então que a viu. Saída de um raio de Lua, ela apareceu, toda vestida de branco, num vestido semi-transparente, deixando adivinhar o seu corpo. Os cabelos longos, ondulados, escuros, caídos sobre os ombros conferiam-lhe uma beleza indiscritível. Havia no rosto dela uma ausência de cor que subitamente lhe fazia lembrar uma estátua branca. Mas era bela. Ali à luz da Lua, num contraste preto e branco, ela era bela. E viu-a avançar pelo jardim, com movimentos generosos, longos e viu o seu corpo balançar por debaixo do vestido semi-transparente.

Era bela.

Parou junto ao lago, e com passos leves caminhou sobre a água do lago. Nesse mesmo instante, ele sentiu um frio enorme e uma solidão absoluta como nunca sentira antes.

Fechou os olhos.

Quando os abriu, avistou apenas um rasto do vestido branco que desaparecia entre os abetos e se afastava pelo denso jardim adentro.

Era a sua Felicidade.

publicado por maocheiapensamentos às 12:46
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